sábado, 23 de junho de 2012

Quem Come De Tudo Sempre Está Mastigando

Imagine 150 pessoas trabalhando em uma filmagem no meio da selva, no alto de uma montanha, em uma ilha deserta ou no meio do gelo. Esse povo todo tem que comer. E comer bem. O trabalho de montar e desmontar grandes equipamentos é trabalho duro. Horas e horas acompanhando cada detalhe das cenas, trabalho duro. Para isso existem empresas que prestam um serviço maior do que o de um simples buffet. É o serviço de Catering. Ou seja, levar comida farta e boa a qualquer lugar em qualquer circunstância. E para nós que acompanhamos filmagem acontecem surpresas nesse sentido. No Brasil alguns Caterings servem, além da comida, sucos maravilhosos, vitaminas de abacate, abacaxi com hortelã, goiaba. Limonadas espetaculares, cremosas, batidas no liquidificador. Na Guatemala me serviram suco de arroz com canela no meio da tarde para dar um up. Na Argentina fazem assados de carnes de primeira, claro. No México entra um cara com 5 panelas diferentes e vai te recheando os tacos na hora. Alguns picantes, outros muito picantes e outro extra picante. E no Uruguai servem sobremesas dignas da melhor confeitaria francesa. As sobremesas vem flambando em sua direção, servidas por chefs de chapéu e tudo. Foi em uma filmagem que descobri ser o Uruguai um polo gastronômico no quesito sobremesas. As pessoas vão para lá ter aulas de patisserie. E tem a parte ruim. Cada país tem seus hábitos e a gente tem que engulir. As tortas de verdura da Argentina são intragáveis, bem como o café da manhã da Guatemala (tutu de fejão preto com creme de leite e ovos com cebola) é bastante difícil de encarar. E vice versa. Não me esqueço da cara do gringo que acompanhava uma filmagem aqui no Brasil ao se deparar com uma panelada de salsichas cortadas em pedaços pequenos, cozidas no molho de tomate, acompanhadas de pãozinhos franceses já abertos ao meio. Cachorro quente brasileiro. Delicioso para nós e horripilante para um americano. Ele me perguntou, com cara de nojo, se era sopa de salsicha. E essa comilança toda acontecendo dentro de barracões no Rio de Janeiro, no quintal de casas alugadas na Guatemala, no pátio de um colégio no Uruguai, em um povoado ou no meio de uma rua no centro de Buenos Aires. Em um palacete da Cidade do México ou em um estúdio gigante em São Paulo. Assim é a experiência de comer acompanhando filmagens. No mínimo uma boa maneira de conhecer outras culturas.

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